campanha

Laços afetivos

A Secretaria de Estado da Cultura, por meio de sua Assessoria de Cultura para Gêneros e Etnias, anualmente promove campanhas culturais, de ampla participação popular, sobre temas relacionados à população negra. Esse ano, pela primeira vez, a Secretaria lança a Campanha Estadual LGBT.

A intenção é, através da campanha, incentivar o debate sobre a plena cidadania de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, bem como contribuir para a quebra de preconceitos e a diminuição da discriminação.

28 de junho de 1969 marcou o início do movimento LGBT na busca por direitos, respeito e inclusão. Num bar, em Nova Iorque – Stone Wall Inn, a polícia realizou uma das suas tão conhecidas blitzes, onde o segmento LGBT era sempre alvo de extorsão e espancamento. Mas nessa noite, movidos pela tristeza da perda de um grande ícone (Judy Garland) e pela revolta com aquela situação, o público frequentador do bar iniciou um enfrentamento à polícia.

Drags, travestis, gays e lésbicas iniciaram um contra ataque que durou três dias. A cada dia, com a informação se disseminando, mais homossexuais vinham ao bar ajudar na resistência e vários outros segmentos sociais apareciam para prestar solidariedade.

"Lutaram, incendiaram um camburão, bateram e apanharam, mas conseguiram a vitória: a polícia parou a repressão. A partir do ano seguinte, 28 de junho passou a ser celebrado nas principais cidades do mundo como o Dia do Orgulho Gay, hoje chamado de Orgulho LGBT – de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, e também como Dia da Consciência Homossexual" (1)

O Brasil ostenta o triste recorde de ser o primeiro em número de crimes contra homossexuais, mas a intenção da campanha é retratar um tema caro a qualquer ser humano – o Afeto.

Isso porque, segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – são mais de 60 mil casais de pessoas do mesmo sexo vivendo sob o mesmo teto e se reconhecendo enquanto casais – pesquisa CENSO/2011.

Estes dados populacionais já justificariam uma Campanha Estadual voltada para o público LGBT, visando à construção e fortalecimento de uma identidade cultural e a difusão da cultura dessa imensa parcela da população paulista, mas a campanha estadual também será importante ferramenta de ação no combate à intolerância e discriminação.

Uma das causas do preconceito é o fato de que percebemos o mundo através das grades de nossa cultura, que pode ser assim definida: conjunto de símbolos compartilhado pelos integrantes de determinado grupo social e que lhes permite atribuir sentido ao mundo em que vivem e às suas ações (Tassinari, 1995). Além disso, toda cultura é dinâmica, pois a pessoa humana está sempre interagindo com o mundo em que vive, criando e alterando seus símbolos.

... As culturas estão em permanente transformação, buscando novas interpretações das novas realidades que se apresentam e, "ao passarem por transformações, continuam diferentes umas das outras (Tassinari, 1995)."

Nossa ideia, então, é propor uma campanha estadual que transforme o pré-conceito, demonstrando, através de contos, crônicas, depoimentos e reportagens, os "Laços Afetivos" estabelecidos por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais com toda a nossa sociedade.

"Laços Afetivos" irá trazer ao conhecimento do grande público as relações familiares entre pais heterossexuais e filhos homossexuais, pais homossexuais e filhos heterossexuais, relações de amizade nos ambientes escolar, de trabalho e familiar, relações de amor entre seres humanos e com outros seres humanos.

Ao final, teremos um livro pungente, revelando as matizes das relações humanas. Esse livro irá reafirmar o compromisso do Estado de São Paulo com os dez anos da Lei Estadual nº 10.948/01 que proíbe e pune toda e qualquer forma de discriminação em razão da orientação sexual e identidade de gênero do indivíduo.

O desafio, agora, é munir-se da caneta e deixar correr solta a verve artística, relatando o cotidiano de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais e seus laços afetivos.

CÁSSIO RODRIGO

Assessor de Cultura para Gêneros e Etnias

Secretaria de Estado da Cultura

(1) Por Luiz Mott, em http://jeitobaiano.wordpress.com/2009/06/28/28-de-junho-40-anos-do-orgulho-gay/

Parceiros

 
Secretaria Municipal de Participação e Parceria – Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual Coordenação de Políticas para a Diversidade Cultural
   

Produção

 
Abaçai  

A campanha Laços Afetivos, que vai recolher depoimentos sobre as relações de afeto da população lgbt, é um marco no respeito pelas minorias no Brasil.

Primeiro, por dar voz a pessoas que geralmente são invisíveis para a sociedade ou que, quando vistas, o são à luz de inúmeros preconceitos muito negativos, e que têm incitado à violência.

Segundo, por organizar e publicar esses depoimentos, mostrando claro posicionamento do governo do Estado em reconhecer esses cidadãos diferentes da maioria, mas nem por isso menos cidadãos.

Terceiro, por dar ênfase ao aspecto afetivo dos relacionamentos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, ressaltando assim a humanidade dessas pessoas para muito além da esfera sexual. De fato, antes de terem namorados ou cônjuges, pessoas lgbt têm pais e mães e irmãos e amigos e colegas, e com todos estes à sua volta desenvolvem relações de afeto. É maravilhoso que possam falar disso e mostrar como somos todos seres humanos, afinal, ainda que tenhamos diferenças nos nossos relacionamentos mais íntimos.

Quarto, por transformar esses depoimentos em livros que poderão ser consultados em bibliotecas e escolas, auxiliando aqueles que se sentem marginalizados a compreender que fazem parte de um grande tecido de diversidade. É de fundamental importância para indivíduos lgbt, em especial os jovens, perceberem que não são os únicos nem estão sozinhos. E é essencial para todos que compreendam as diferenças que contribuem para a riqueza de nossa sociedade e aprendam a conviver em paz com aqueles que não são seu espelho.

É com profundo reconhecimento pela importância de uma campanha como esta, de impacto tão positivo para o reconhecimento da diversidade, que iremos ler os muitos milhares – esperamos! – de textos submetidos por cidadãos lgbt. Temos orgulho por termos sido escolhidos curadores de campanha tão inovadora e esperamos estar à altura de uma ação tão favorável à compreensão da população lgbt e à convivência inteligente entre todos nós.

João Federici é formado em artes cênicas e atuante produtor cultural no Brasil e no exterior tem se destacado na ultima década como diretor artístico e executivo do Festival Mix Brasil de Cinema da Diversidade, produzido pela Associação Cultural Mix Brasil na qual é vice-presidente, dando amplitude e visibilidade aos filmes com temática LGBT dentro do território nacional e levando para outros continentes jovens e notórios diretores brasileiros exibindo seus trabalhos. Diretor do 4º Dramática em Cena Diversidade – 1º Festival brasileiro de Teatro do segmento LGBT. Desde 1993, ano que fundou sua produtora Ideias & Ideais, vem produzindo espetáculos de grande sucesso de público, premiados e com grande destaque na imprensa nacional e internacional. Representou o Brasil com produções teatrais nacionais ou fazendo curadoria para Festivais de Cinema em países como: EUA, Itália, Portugal, Canadá, Espanha, França, Rússia, Australia e Uruguai.

Laura Bacellar é escritora e editora de livros, atuando em prol da visibilidade lésbica desde 1994. Desenvolve um trabalho com novos autores através do site Escreva seu livro, tendo publicado Escreva seu livro – guia prático de edição e publicação (São Paulo, Mercuryo, 2001). É pioneira na difusão de cultura para minorias sexuais, tendo sido uma das coordenadoras do grupo exclusivamente de mulheres Umas & Outras, em São Paulo; tendo fundado o selo Edições GLS, que dirigiu por seis anos; e sendo uma das sócias da editora Brejeira Malagueta, a primeira editora de livros da América Latina dedicada especificamente às mulheres homossexuais. É autora de variadas obras, desde infantis até adultas, inclusive O mercado gls, em co-autoria com Franco Reinaudo (São Paulo, Ideia & Ação, 2008), A mãe possível – os caminhos do xamanismo para dissolver a culpa da mãe que não é perfeita, em co-autoria com Carminha Levy (São Paulo, Ground, 2010), e Frente e verso – Visões da lesbianidade (São Paulo, Brejeira Malagueta, 2011).

COMUNICADO

A Secretaria de Estado da Cultura, por meio de sua Assessoria de Cultura para Gêneros e Etnias, informa que o prazo para inscrição nas Campanhas Estaduais de Cultura "Nós, os Afrobrasileiros", "Pela Arte se Inclui" e "Laços Afetivos" encerrou-se em 30 de dezembro de 2011. Entre 27 de setembro e 31 de dezembro de 2011, o site da assessoria (www.cultura.sp.gov.br/generoseetnias) recebeu 7.813 acessos – 211 em setembro, 1.874 em outubro, 2.918 em novembro e 2.810 no mês de dezembro de 2011. Ao longo deste período, 752 pessoas acessaram a campanha "Pela Arte se Inclui" e 20 pessoas enviaram projetos para concorrer. "Laços Afetivos" recebeu 519 visitações e 16 inscrições de textos para avaliação pelos curadores. Já a campanha "Nós, os Afrobrasileiros" teve um total de 650 acessos e 12 vídeos inscritos. Os curadores das três campanhas estaduais estão em fase de avaliação dos projetos recebidos. Após esta fase, na segunda quinzena de fevereiro de 2012, os trabalhos selecionados serão divulgados nos sites da ACGE e da Secretaria de Estado da Cultura.

Aguarde mais informações.

Quem pode participar?
Todo mundo pode participar.

Qual tipo de texto?
Texto na forma de contos, crônicas, depoimentos, e reportagens que abordem laços afetivos de pessoas LGBT.

Tem prêmios?
Um (01) exemplar do livro final contendo todos os textos selecionados.

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