campanha

Nós, os Afro-Brasileiros

Em 2007 a Secretaria de Estado da Cultura, através de sua Assessoria de Cultura para Gêneros e Etnias, iniciou um ciclo de Campanhas Estaduais, de ampla participação popular, para estimular o debate acerca do racismo no Brasil e, em especial, em São Paulo.

Naquele ano foi feita uma homenagem às mulheres e homens negros que construíram nosso país. Em 2008, com a comemoração dos 120 anos da Abolição da Escravidão, o tema escolhido foi “Racismo: se você não fala, quem vai falar?”, recebendo mais de 15 mil cartas que contavam a luta da comunidade negra para enfrentar o preconceito e combater o racismo cotidiano.

No ano seguinte, através de fotos, a Secretaria de Estado da Cultura demonstrou a “África em Nós”. 2010 foi a vez da "Consciência Negra em Cartaz".

Para 2011, quando comemoramos o Ano Internacional para Afrodescendentes, lançado pela ONU – Organização das Nações Unidas, a Campanha Estadual de Consciência Negra irá trabalhar com marcos identitários, buscando fortalecer a imagem dessa imensa parcela da população brasileira.

Propomos às negras e negros que resgatem não só suas origens, mas o orgulho em ser negro e brasileiro. Orgulho em ter construído nosso país e nosso Estado. Dessa forma, em parceria com o Museu Afro Brasil, surgiu o tema da Campanha Estadual para 2011: “Nós, os Afro-brasileiros”.

A Campanha Estadual de Consciência Negra, em 2011, irá permitir o resgate das raízes, mas para além disso, mapeando pelo interior do Estado de São Paulo exemplos de negros e negras que têm contribuído com a construção da nossa história e da nossa cultura.

A ideia é, portanto, dar visibilidade às personalidades negras que contribuíram com o processo cultural (literatura, música, artes plásticas) e social (direito, medicina, economia, esportes) de São Paulo. Buscando, também, pelo cidadão comum: aquele ou aquela que, no seu cotidiano, contribuiu para seu bairro, sua cidade, sua comunidade, estimulando o resgate da identidade negra.

Hábitos, crenças, e formas de expressão religiosa e artística vindas originalmente da África, há muito foram incorporadas no cotidiano do povo brasileiro sem que, ao menos nos demos conta. Tudo isso gerou, se assim podemos dizer, uma identidade africana na então cultura brasileira, importada da Europa.

A presença desta identidade afro-brasileira está expressa na grafia e oralidade de palavras como: cachaça, moleque, quindim, jiló, macumba, marimbondo, cochilo, tanga, samba, maxixe, zabumba, acarajé, carimbó, canjica ou mesmo em nomes como Jurema, Iuri, Joaquim, Josefa – de origem africana.

Não podemos nos esquecer da importância que trouxeram na alimentação: paçoca, feijoada, quindim, tapioca, bolo de fubá, acarajé, vatapá, bobó, dendê, inhame e aipim são apenas alguns exemplos herdados.

De acordo com Jacques Delors, a transmissão de conhecimento sobre a diversidade humana, bem como a tomada de consciência das semelhanças e da interdependência entre todos os seres humanos do planeta constituem fundamentos da educação. As diferentes construções identitárias nascem em contextos sociais específicos e devem ser pensadas em uma perspectiva relacional, ou seja, como resultantes das relações sociais que ocorrem no cotidiano dos atores sociais, e não como propriedades intrínsecas compostas por uma essência imutável.

A Campanha irá utilizar o vídeo como ferramenta para confrontar realidades diferentes e se observar com parte constituinte e transformadora desta realidade. A intenção é, através de documentários de três a cinco minutos, desvendarmos personagens, fatos, lugares, história.

A “sétima arte” tem sido um fator transformador em várias partes do Mundo. Em Angola, por exemplo, expoentes do cinema já ampliaram seus horizontes e fronteiras. Como instrumento cultural, os curtas terão a possibilidade de comunicar e atravessar barreiras sociais, econômicas e geográficas, migrando pelos 645 municípios paulistas.

CÁSSIO RODRIGO

Assessor de Cultura para Gêneros e Etnias

Secretaria de Estado da Cultura

Parceiros

 
Secretaria Municipal de Limeira – Difusão Cultural Coordenação de Políticas para a População Negra e Indígena
Coordenadoria de Assuntos para População Negra Conselho da Comunidade Negra

Produção

 
Abaçai  

Este ano a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo em parceria com o Museu Afro-Brasil se unem para a campanha "Nós, os Afro-brasileiros". Tal parceria tem a missão de dar visibilidade as diversas histórias que tem como ponto de partida, ou de chegada, a contribuição de uma parcela de nossa sociedade para a construção de um país onde a diversidade seja não somente uma palavra virtuosa em nossos discursos, mas se torne imagem em movimento em seus mais inúmeros formatos e temas. Neste sentido, a linguagem do audiovisual no formato de curta metragem é uma escolha acertada, pois ela já traz em si o espaço privilegiado de experimentação. Hoje, temos a disposição diversos suportes e mídias, possibilitando e facilitando desde a produção até a publicação de obras.

Após o advento das novas tecnologias da informação, percebemos que os espaços de diálogo se aproximaram, não somente com nossos entes mais próximos, mas principalmente no estabelecimento de conexões entre culturas distantes em uma dimensão, a poucos anos atrás, inimaginável de um lado a outro do planeta. Todo esse aparato não se justifica se não contarmos nossas histórias e memórias, além disto, refletir sobre o mundo contemporâneo, trocando experiências e pensamentos, contribuindo para que tudo possa ser registrado e disponibilizado, não só para futuras gerações como também para multiplicar o conhecimento.

Nos centros urbanos e mesmo nos lugares longínquos estão todos e todas convidados/as a dar sua contribuição nesta nova empreitada democrática do audiovisual paulista.

Para minha geração, que nasceu sob o império do audiovisual é uma honra estar unido nesta campanha através da curadoria. Gostaria de destacar o momento especial que é a homenagem à produção cinematográfica voltada para as histórias do povo negro, contribuindo para a visibilidade de nossa história no cinema e na TV, como o importante diretor afro-brasileiro Zózimo Bulbul.

Desde já, me sinto honrado e agradeço o convite da Secretaria de Cultura, através de sua Assessoria de Cultura para Gêneros e Etnias, lembrando que nada faz sentido se não tivermos a participação intensa dos cidadãos, com mais diversos aparelhos de gravação de som e imagem registrando a nossa história.

Jeferson De

CURRÍCULO
Jeferson Rodrigues De Rezende, 26 / janeiro / 1968, Taubaté - SP

  • 1989 - Ingressou no curso de graduação em Filosofia da Universidade de São Paulo.
  • 1994 - Ingressou no curso de graduação Cinema da Universidade de São Paulo.
  • 1997 a 1998 - Bolsista da FAPESP em a pesquisa: “Diretores Cinematográficos Negros”.
  • 1997 a 2001 - Trabalhou como editor na produtora Superfilmes de Zita Carvalhosa e André Klotzel.
  • 2000 -  Publicou o manifesto “Dogma Feijoada”, inspirado em seu estudo sobre a produção afro-brasileira.
  • 2002 a 2009 -Trabalhou como editor e finalizador em projetos na MTV e SBT, entre eles, a série Vinte poucos anos, Tudo de Bom e Popstars.
  • 2002 a 2007 - Colaborador dos Estúdios TRAMA.
  • 2003 - funda a produtora Barraco Forte onde pesquisou e produziu para o projeto Brasil Total e Central da Periferia, apresentados pela atriz Regina Casé.
  • 2005 -  lança o livro “Dogma Feijoada e o Cinema Negro Brasileiro”, coleção Aplauso.
  • 2007 - Criou e dirigiu, junto à gravadora Trama, o programa Trama Virtual, exibido no Multishow.

ASSISTENTE DE EDIÇÃO:

  • Kenoma (1998), longa-metragem de Eliane Café;
  • Náufrago (1998), curta-metragem de Amílcar Claro;
  • Fé (1999), longa-metragem de Ricardo Dias;
  • Povo Brasileiro (2000), série para TV, de Isa Ferraz;
  • Memórias Póstumas (2001), longa-metragem de André Klotzel.

É professor-convidado de direção na AIC (Academia Internacional de Cinema), em São Paulo.

FILMOGRAFIA:
Diretor e roteirista dos curtas metragens:

  • 1998 - “One, one, one”
  • 1999 - “Genesis 22”
  • 2001  - “Distraída para morte”
  • 2003 - “Carolina”
  • 2005 - “Narciso Rap”
  • 2006 - “O legado de Simonal”
  • 2008 -  “Jonas, só mais um”

Diretor e roteirista  do Longa Metragem:

  • 2010 - “Bróder“

Produtor:

  • 2011 – Aguasala - Curta Metragem

PRÊMIOS:

à  Bróder – 2009/2010
PRODUCAO/DIREÇÃO/ ROTEIRO
Longa-metragem em 35mm

  • 2002 - O roteiro selecionado no VI Laboratório de Roteiros do Instituto Sundance. Seleção Oficial na mostra Panorama do 60º Berlinale (festival de Berlin) e Melhor filme – Festival de Gramado
  • 2010 - Melhor Direção - Festival de Gramado
  • 2010 - Melhor Ator -  (Caio Blat) - Festival de Gramado
  • 2010 - Trilha Sonora – (Jeferson De e João Marcelo Bôscoli) - Festival de Gramado
  • 2010 - Melhor Filme - Prêmio da crítica – Festival de Paulínia
  • 2010 - Melhor Fotografia - (Gustavo Hadba , ABC) - Festival de Paulínia
  • 2010 - Melhor Trilha Sonora –(Jeferson De e João Marcelo Bôscoli ) - Festival de Paulínia
  • 2010 - Melhor Direção de Arte – (Alê Maestro) - Festival de Paulínia
  • 2010 - Melhor Edição de Som – (Mirian Biderman) - Festival de Paulínia
  • 2010 - Melhor Montagem – (Jeferson De e Kito Ribeiro) - Festival de Paulínia
  • 2010 - Melhor Direção – Festival de Goiânia 2010
  • 2010 - Melhor Música – Festival de Goiânia 2010
  • 2010 - Seleção Hour Concour – Festival do Rio de Janeiro 2010

à Narciso Rap – 2005
Curta-metragem em 35mm

  • 15º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo – Eleito um dos 10
    • Favoritos do público
  • 2005 - Mostra Brasileira em Clermont-Ferrand, França
  • 3º Festival de Ribeirão Preto
  • 3rd Alucine – Toronto Latino Film & Video Festival
  • XV Cine Ceará

à Carolina – 2003       
Curta-metragem em 35mm

  • Projeto premiado na 3ª Seleção Petrobrás Cinema
  • 31º Festival de Gramado (2003) – Melhor Filme, Prêmio da Crítica e Melhor Fotografia (Carlos Ebert, ABC).
  • 14º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo
  • 2º Curta Santos – Melhor Montagem (Jeferson De)
  • 2nd Alucine – Toronto Latino Film & Video Festival
  • 2º Festival de Campo Grande
  • Curta-se 4 – Festival Luso-Brasileiro de Curtas-Metragens de Sergipe – Melhor Documentário
  • 3º Festival de Ribeirão Preto – Melhor Curta Metragem

à Distraída Para A Morte – 2001
Curta-metragem em 35mm

  • Fespaco (Festival Pan Africano – Burkina Faso) (2001);
  • Festival de Recife – Prêmio Especial do Júri (2001);
  • Festival de Oberhausen, na Alemanha (2001);
  • Festival Internacional de Belo Horizonte – Melhor Montagem (2001);
  • Festival de Gramado (2001);
  • Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo (2001);
  • Festival do Rio BR (2001).

Contato: http://jefersonde.blogspot.com

COMUNICADO

A Secretaria de Estado da Cultura, por meio de sua Assessoria de Cultura para Gêneros e Etnias, informa que o prazo para inscrição nas Campanhas Estaduais de Cultura "Nós, os Afrobrasileiros", "Pela Arte se Inclui" e "Laços Afetivos" encerrou-se em 30 de dezembro de 2011. Entre 27 de setembro e 31 de dezembro de 2011, o site da assessoria (www.cultura.sp.gov.br/generoseetnias) recebeu 7.813 acessos – 211 em setembro, 1.874 em outubro, 2.918 em novembro e 2.810 no mês de dezembro de 2011. Ao longo deste período, 752 pessoas acessaram a campanha "Pela Arte se Inclui" e 20 pessoas enviaram projetos para concorrer. "Laços Afetivos" recebeu 519 visitações e 16 inscrições de textos para avaliação pelos curadores. Já a campanha "Nós, os Afrobrasileiros" teve um total de 650 acessos e 12 vídeos inscritos. Os curadores das três campanhas estaduais estão em fase de avaliação dos projetos recebidos. Após esta fase, na segunda quinzena de fevereiro de 2012, os trabalhos selecionados serão divulgados nos sites da ACGE e da Secretaria de Estado da Cultura.

Aguarde mais informações.

Quem pode participar?
O concurso é aberto a qualquer pessoa, residente ou não no Estado de São Paulo, desde que a temática apresentada no documentário seja exclusiva de São Paulo.

Que tipo de video?
Os vídeos poderão ser captados em qualquer tipo de equipamento como: câmera de vídeo, câmera de celular, webcam, entre outros. Os vídeos deverão ter no mínimo 3 minutos e no máximo 5 minutos de duração, incluindo os créditos.

Qual o formato do vídeo?
1) vídeos no formato de web (esses vídeos deverão ter formato compatível com postagem em sites como o "youtube");
2) vídeos entregues em DVD para exibição em salas.

Tem prêmios?
O Concurso tem caráter exclusivamente cultural, sem qualquer recompensa financeira. Os 40 selecionados farão parte de um DVD compilado e produzido pela Secretaria de Estado da Cultura, Assessoria de Cultura para Gêneros e Etnias.

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