campanha

Pela Arte se Inclui

A história do movimento da pessoa com deficiência na busca dos direitos e da sua cidadania, tem uma forte relação com a história da humanidade, onde a figura do deficiente sempre foi alvo de segregação e discriminação.

Na Idade Média os deficientes encontraram abrigo nas igrejas, mas, ainda assim, não eram vistos como pertencentes aquele lugar. Esta conduta social ficou registrada no livro o "Corcunda de Notre Dame", de Victor Hugo, onde o personagem "Quasimodo" vivia isolado na Torre da Catedral de Paris.

No século XVI a XIX, surgem asilos, conventos e albergues com a função de deixar as pessoas com "Deficiência Físicas e Mentais" isoladas do resto da sociedade. Na Europa aparece o primeiro hospital com a finalidade de tratar os doentes, mas todas as instituições dessa época não passavam de prisões sem tratamento especializado ou programas educacionais com currículos adaptados para estas pessoas.

No Brasil, foi na época do Império que surgiram as primeiras instituições voltadas às pessoas com deficiência: o Imperial Instituto dos Meninos Cegos – hoje o conceituado Instituto Benjamin Constant, o Imperial Instituto dos Surdos-Mudos – Instituto Nacional de Educação de Surdos. Anos depois as Sociedades Pestalozzi, as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes), além de centros de reabilitação, tais como a Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) e a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD).

Foi por meio dessas instituições e diversas obras assistenciais nascidas a partir do século XIX até a atualidade, que muito se avançou no sentido de quebrar de paradigmas e diversas teorias pré concebidas para justificar um protecionismo exacerbado em relação a esse segmento, retirando a cidadania a que os mesmos têm direito.

Então no século XX as pessoas com deficiências começaram a ser considerados cidadãos com direitos e deveres de participação na sociedade, mas ainda de maneira assistencial, mesmo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que propõe um debate amplo sobre os direitos iguais e inalienáveis como fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo.

Com isso o movimento das pessoas com deficiência pela primeira vez, percebe que elas mesmas protagonizam suas lutas e buscam ser agentes da própria história, e a grande bandeira se apresenta com o lema "Nada sobre Nós sem Nós", expressão difundida internacionalmente, sintetiza com fidelidade a história do movimento objeto da pesquisa que resultou em um livro.

Pessoas com deficiência têm conseguido, com grandes ou pequenas lutas, ocupar seu lugar de direito na cidade via participação nas dinâmicas sociais comuns como acesso a educação, trabalho e lazer. As barreiras que enfrentam, entretanto, ainda mostram-se grandes tanto no campo físico/material das cidades e seus equipamentos como (e talvez maiores ainda) nas atitudes.

Neste sentido, agregar a cultura como forma de inclusão de pessoas com deficiência, além de difusora de boas práticas, empodera e fortalece esse segmento frente à sociedade.

Pensando apenas no recorte populacional, o Estado de São Paulo possuía, em 2000, segundo o CENSO, mais de quatro milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, sendo que destas, quase um milhão com deficiência auditiva e mais de dois milhões e meio com deficiência visual. Já 286.872 eram pessoas com alguma deficiência física e 547.314 eram pessoas com deficiência mental.

Hoje, nossa campanha visa dar voz a um publico de aproximadamente 6 milhões de pessoas com deficiência, desta forma o lema "Nada sobre Nós sem Nós" servirá de fundo para sabermos "Como é ser deficiente em São Paulo".

A primeira Campanha Estadual para Pessoas com Deficiência terá por tema "Pela Arte se Inclui", buscando captar exemplos de como a cultura, nas suas mais diversas manifestações (teatro, dança, artes plásticas, música, etc) pode ser instrumento de inclusão e de modificação do olhar de estranheza sobre o outro.

"Pela Arte se Inclui" irá captar como as pessoas com deficiência podem exercer os seus direitos e participar igualitariamente da vida política, social, econômica, cultural e artística da sociedade; conferindo-lhe voz, personalidade, existência.

CÁSSIO RODRIGO

Assessor de Cultura para Gêneros e Etnias

Secretaria de Estado da Cultura

Parceiros

   
Instituto Mara Gabrilli Prefeitura de São Caetano (SEDF - Secretaria dos Direitos das Pessoas com Deficiência) Governo do Estado de São Paulo (Secretaria dos Direitos das Pessoas com Deficiência)

Produção

   
Abaçai    

Com iniciativa da Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo e o apoio da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o Instituto Mara Gabrille, a Secretaria Municipal de Pessoa com Deficiência e Mobilidade reduzida e a Secretaria Municipal de Cultura, ambas de São Caetano do Sul, foi elaborada a primeira Campanha de cultura para segmento da Pessoa com Deficiência.

A campanha Pela Arte se Inclui, tem por objetivo dar visibilidade e reconhecimento público às melhores iniciativas inclusivas na área da arte e cultura, voltadas às pessoas com deficiência. O critério principal a ser considerado é a proposta de protagonismo, inclusão e cidadania implícita ou explícita no trabalho.

Pensar a inclusão das pessoas com deficiência através das diferentes manifestações culturas com Literatura, Pintura, Desenho, Fotografia, Cinema, Teatro, Música, Dança, Canto e Arte Circense , ajudar a diminuir o preconceito a discriminação que por muitas vezes ceifam as oportunidades deste segmento historicamente excluído do processo de desenvolvimento da sociedade.

Dar visibilidade aos projetos pensados por cada artista, profissional ou amador, dispersos pelo nosso Estado, visando promover a igualdade de oportunidade e auxiliar a diminuir o olhar de estranheza sobre o outro, reconhecendo a capacidade criativa e a eficiência expressa nas mais diferentes formas.

Gostaríamos de lembrar que como uma primeira campanha ela busca fazer o resgate da pessoa com deficiência enquanto cidadão de direitos e que tem como um dos deveres, contribuir para construção de uma sociedade igualitária, sendo que esta contribuição deve se dar por meio da sua convivência plena na sociedade.

Para pensar e concretizar as ações da campanha a Secretaria da Cultura, por meio da Assessoria de Gêneros e Etnias chamou gestores de diferentes municípios e a sociedade civil para montar um grupo de trabalho para pensar e articular a campanha. Abaixo apresentamos o GT que é responsável por fazer a curadoria da 1ª Campanha Estadual de Cultura "Pela Arte se Inclui"

Abigail Montanher
Formada em Música e Canto Coral, pelo Conservatório Municipal e Fundação das Artes de São Caetano do Sul. Atualmente trabalha na Secretaria de Cultura de São Caetano do Sul como Coordenadora de Música.Tem atuado em diferentes projetos tais como : Balance Cultural (carnaval), IV Festival de Talentos; Chorinho ao Ar Livre e mais recente: I Concurso da Beleza Negra de São Caetano do Sul

Maria Isabel da Silva
Jornalista formada pela PUC/SP e pós-graduada em Gestão de Processos Comunicacionais, pela USP. Atuante pela inclusão e defesa dos direitos das pessoas com deficiência, desde 1996. Coordena, via internet, discussões relativas aos direitos das pessoas com deficiência, junto a lideranças de todo o Brasil, tendo gerado um documento com propostas substitutivas ao Estatuto da Pessoa com Deficiência, entregue em 2006 ao Senado e Câmara Federal, como contribuição para aprimoramento da proposta original. Atualmente é Assessora de Gabinete e Gestora da Assessoria de Comunicação Institucional da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo. Tem na essência de seu trabalho o combate ao preconceito e discriminação, subsidiando a promoção da cidadania e a inclusão social das pessoas com deficiência.

Rafael Públio
Publicitário formado pela FAAP e pós-graduado em Administração e Marketing pela FMU. Trabalhou durante cinco anos na coordenação de projetos de inclusão na Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida da cidade de São Paulo – SMPED. Atualmente trabalha no desenvolvimento de políticas públicas para pessoas com deficiência no Legislativo, como Assessor da Deputada Federal Mara Gabrilli.

Luis Carlos Cocola França Kassab
Graduado em Direito pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, com a Monografia de conclusão de curso: "Princípio da Isonomia em Face do Portador de Deficiência Física"; Pós-Graduando em Direito Difusos e Coletivos pela Escola Paulista de Direito – EPD- Atualmente trabalha na Prefeitura do Município de São Caetano do Sul como Assistente técnico – Secretaria dos Direitos das Pessoas com Deficiência e ou Mobilidade Reduzida -SEDEF e representa o Município de São Caetano do Sul no GT Pessoa com Deficiência do Consorcio Intermunicipal da Região do Grande ABC.

Juliana Paula Martins
Graduado em Pedagogia , Aos 29 anos, adquiriu deficiência visual bilateral (retinopatia diabética, seguida de glaucoma). Desde então, passou a militar pelo desenvolvimento de implantação das políticas de acessibilidade e inclusão social de pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida por sua atuação profissional em áreas públicas diretamente relacionadas ao tema, bem como pela realização de palestras motivacionais e educacionais em instituições de ensino médio e superior (Educação na Diversidade). Atualmente trabalha como Assessora da Secretaria Municipal dos direitos da Pessoa com Deficiência ou Mobilidade Reduzida de São Caetano do Sul e anteriormente atuava como Orientadora Educacional – Fundação Municipal Anne Sullivan.

Edimara Henrique de Mecena – Artista Plástica
Licenciatura Plena em Pedagogia - Faculdade de Educação da USP (cursando último semestre) e Licenciatura Plena em Educação Artística com habilitação em Artes Plásticas – Instituto de Artes da UNESP. Atualmente trabalha como Professora de Educação básica II em Mauá -disciplina de Arte, foi a responsável por criar a Arte visual da Campanha.

Silvana Pereira Gimenes
Bacharel em Ciências Políticas e Sociais, Mestre em Administração - Área - Gestão e Regionalidade - Políticas de Gênero, dissertação "Gênero e Poder: A Questão de Gênero e as Esferas do Poder Executivo e Legislativo na região do ABC. Participou enquanto gestora dos conselhos da Criança e Adolescente, Conselho da Pessoa com Deficiência, da Pessoa Idosa, da Mulher; nos GTs de Pessoa com Deficiência e Gênero e Raça no Consórcio Intermunicipal do ABC. Foi coordenadora de enfrentamento a violência de gênero, raça, pessoas com deficiência, orientação sexual no Município de Santo André. Atualmente trabalha na Assessoria de Culturas para Gêneros e Etnias da Secretaria Estadual de Cultura de São Paulo.

COMUNICADO

A Secretaria de Estado da Cultura, por meio de sua Assessoria de Cultura para Gêneros e Etnias, informa que o prazo para inscrição nas Campanhas Estaduais de Cultura "Nós, os Afrobrasileiros", "Pela Arte se Inclui" e "Laços Afetivos" encerrou-se em 30 de dezembro de 2011. Entre 27 de setembro e 31 de dezembro de 2011, o site da assessoria (www.cultura.sp.gov.br/generoseetnias) recebeu 7.813 acessos – 211 em setembro, 1.874 em outubro, 2.918 em novembro e 2.810 no mês de dezembro de 2011. Ao longo deste período, 752 pessoas acessaram a campanha "Pela Arte se Inclui" e 20 pessoas enviaram projetos para concorrer. "Laços Afetivos" recebeu 519 visitações e 16 inscrições de textos para avaliação pelos curadores. Já a campanha "Nós, os Afrobrasileiros" teve um total de 650 acessos e 12 vídeos inscritos. Os curadores das três campanhas estaduais estão em fase de avaliação dos projetos recebidos. Após esta fase, na segunda quinzena de fevereiro de 2012, os trabalhos selecionados serão divulgados nos sites da ACGE e da Secretaria de Estado da Cultura.

Aguarde mais informações.

Quem pode participar?
Podem participar profissionais e amadores da área da cultura, pessoas físicas e jurídicas, entidades públicas e privadas, brasileiros ou estrangeiros residentes no Estado de São Paulo.

Como participar?
Inscrevendo seus projetos através do site ou enviando material pelos Correios.

Tem prêmios?
Serão selecionados 30 projetos de todo o Estado de São Paulo que comporão um livro/catálogo da mesma e participarão de atividades e ou programação cultural montada referentes às datas comemorativas e de visibilidade da pessoa com deficiência, como 3 dezembro de 2011- Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Esta campanha não prevê premiação em dinheiro, equipamento e outra forma similar. Será realizado um evento na segunda semana de janeiro de 2012 para apresentar ao público os projetos finalistas selecionados.

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